sábado, 24 de Outubro de 2009

RECORDANDO

A nossa filha veio passar duas semanas connosco e quando ela nos visita tentamos aproveitar ao máximo os dias para, em família, gozarmos da sua companhia. Há sempre muitas coisas para recordar, algumas até já esquecidas e que nos fazem voltar atrás ao passado, recriando o cenário de então. Vão-se fazendo comentários e rindo com algumas narrativas mais elaboradas, porque o passar dos anos vai omitindo alguns pormenores. Envolvidos num clima de alegria e de um certo saudosismo deixamos as horas passar.
É curioso, nestas ocasiões eu dou por mim a voltar atrás no tempo e a analisar uma ou outra atitude que tomei, sentindo, com uma certa mágoa, que talvez não tenha agido da melhor maneira. Com o passar dos anos e em muitos aspectos, eu passei a ter uma outra visão das coisas e questiono-me muito. Estes “conflitos interiores”, que por vezes me invadem, eu penso que são resultantes das constantes comparações que faço entre o passado e o presente, entre os padrões que orientavam a educação dos mais novos há uns anos atrás e aqueles que vejo serem hoje defendidos e adoptados e que me parecem pôr em causa a importância dos valores e a firmeza nas convicções.
Agora os meus filhos já estão criados e já não me pesa a responsabilidade da sua educação. Dou graças a Deus pelos filhos que tenho: pessoas bem formadas de quem muito me orgulho. Na educação que eu e o pai lhes demos fica-me a noção que fizemos o melhor que podíamos e sabíamos, dentro das condições de vida que nos cercavam e as convicções que nos orientavam. Sinto que é saudável para mim ir fazendo avaliações de quando em quando, nas atitudes que tomo, naquilo que fiz e não devia ter feito, nas decisões que tomei e por aí fora. É uma boa aprendizagem para viver o futuro com mais qualidade!

Noémia Neto, Figueira da Foz, 24 de Outubro de 2009

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

O MEU ADEUS

Estou muito triste…A minha grande amiga Noémia partiu para Deus no passado domingo, depois de dias de sofrimento no hospital. Ainda me brindou com dois grandes sorrisos no primeiro dia que a visitei. Fiquei enternecida ! Eles ficarão para sempre retidos no meu pensamento. Chegou à bonita idade de 93 anos ! Mas a doença foi debilitando a sua saúde e há mais de um ano que deixou de ser a mulher activa e lutadora, que se esforçava por aproveitar cada dia que Deus lhe concedia de vida, sempre com um sorriso no seu bonito rosto.
Perdi uma amiga que conquistei logo nos primeiro tempos, depois de ter chegado à Figueira da Foz, com 27 anos. A minha família foi aumentando e os nossos laços de amizade foram fortalecendo-se ao longo dos anos. O meu filho mais novo e o seu neto tornaram-se nos grandes amigos que agora são. A nossa amizade deu lugar ao grande afecto que hoje liga as nossas famílias.
Depois de um estreito e apertado abraço à sua filha mais nova, após o funeral, que nos uniu na saudade que a sua partida deixou em nós, eu disse-lhe: “ Tenho sentido tanto a falta da tua mãe, das nossas conversas à mesa do café, quando dávamos os nossos passeios…” Foram muitas as horas que passámos juntas e a sua ausência deixa uma grande lacuna na minha vida. São Amizades como esta que permitem que o nosso coração se abra, numa partilha de sentimentos, que vão da troca de ideias aos desabafos e às confidências mútuas.
Adeus Amiga! Tenho a certeza que um dia nos encontraremos junto de Deus.

“ Será p’ra mim glória sem fim!
Ver o Senhor assim como Ele é,
Será a glória das glórias p’ra mim!

Entes queridos lá encontrarei,
Prazer infindo ali gozarei;
Mas um só meigo sorriso do Rei
Será a glória das glórias p’ra mim!



terça-feira, 8 de Setembro de 2009

AS REALIDADES DA VIDA

“Não, a vida não é uma festa permanente e imóvel, é uma evolução constante e rude.” Ramalho Ortigão

Depois de ter visto um determinado programa na televisão, concluí, e penso não estar longe da verdade, que quando falamos das “realidades da vida”, de uma maneira geral, estamos a olhar o lado negativo da vida, os infortúnios que a qualquer momento podem surgir. São encaradas como surpresas às quais não podemos fugir e, dependendo da nossa maneira de sentir, ou estamos sempre atentos com a percepção de que algo de mau vai acontecer, ou continuamos a viver, sem cepticismo, conscientes que iremos encontrar forças e coragem para enfrentar as “partidas” do destino.
De todo o lado surgem evidências que nos dão conta da sociedade estar a sofrer alterações constantes que se reflectem no nosso dia-a-dia. Sabemos que não estamos livres de em qualquer ocasião sermos obrigados a enfrentar situações de medo e provação. Todos nós já vivemos momentos de tristeza e dor com a partida de um ente querido, lutámos com a doença. Vivemos tempos de tensão e angústia que surgiram inesperadamente na vida. O desemprego que pode bater-nos à porta, a violência de que podemos ser vítimas a qualquer momento, consequências dos novos tempos que vivemos. Mas o que nós estamos sempre a constatar é que, com maior ou menor sofrimento, com mais ou menos optimismo, com a ajuda de Deus, vamos aprendendo a viver de novo a vida que ainda temos pela frente, dando pequenos passos, parando para depois recomeçarmos a caminhada. A disposição pode não voltar a ser a mesma, mas outros interesses vão surgindo e a luta pela sobrevivência tem de prosseguir porque a vida continua. As dificuldades da vida ajudam-nos a crescer na fé e a construir o nosso carácter.

domingo, 23 de Agosto de 2009

UMA NOVA VIDA

A amiga, a quem já me referi algumas vezes, teve de deixar a sua casa e ir para um Lar de Idosos, depois de ter caído e ficado impossibilitada de abrir a porta à funcionária da instituição que lhe fornecia o almoço. Embora contrariada, já não teve mais forças para lutar e lá está. A pouco e pouco a sua saúde foi-se debilitando, perdeu as forças, e o seu já pouco ou nenhum interesse pela vida abandonou-a por completo, apesar de continuar a resistir a qualquer ajuda que as vizinhas e as amigas sempre lhe quiseram prestar.
É muito triste assistir à degradação da vida duma pessoa, especialmente quando a conhecemos há muitos anos e com ela convivemos.
Nem todos conseguem ultrapassar a solidão, sobretudo quando a saúde começa a faltar e se vai perdendo a disposição para comunicar com os outros. É meio caminho andado para se instalar a depressão e com ela o desinteresse pela vida, o descuido com a aparência e o arranjo da casa. Esta amiga isolou-se do mundo e nada, nem ninguém, conseguiram convencê-la a mudar o estilo de vida que escolheu para viver nestes últimos anos. O nosso coração está muito triste, questionamos os “porquês” que a levaram a um tal estado, mas não encontramos respostas. E ela, tê-las á !?
Agora tem quem olhe por ela, está cuidada, tem o sol a entrar pela janela do quarto, tem companhia, não está só. Ganhou uma qualidade de vida há muito perdida. Que Deus a ajude neste processo de adaptação por que está a passar, que ela se possa ir sentindo como mais um membro da grande família a que agora pertence. Não vai ser fácil ela aceitar a mudança de um momento para o outro, sem passar por emoções que as recordações do passado lhe trarão, mas também creio, pelo que me foi já dado observar, que não está indiferente aos benefícios que está a usufruir no seu corpo cuidado, na atenção que lhe dispensam e no carinho com que é tratada. Visitas não lhe irão faltar, estou convencida disso.
Força, Amiga, vamos sempre a tempo de aceitar a mudança !

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

HÁBITOS

As aulas de hidroginástica do Ginásio Clube Figueirense foram suspensas para um período de férias. Durante um mês não farei as minhas caminhadas até à piscina e isso vem quebrar uma das minhas rotinas da semana. Mesmo os mais avessos a hábitos estabelecidos não podem fugir a eles. Toda a nossa vida, quer queiramos quer não, gira à volta de rotinas, muitas delas são consequência de obrigações a que não podemos fugir. Depois há hábitos que herdámos da infância, pela educação que recebemos, muitos dos quais ainda conservamos. Cada um de nós vai-os desenvolvendo ao longo da vida, ao mesmo tempo que perdemos uns e adquirimos outros. É curioso que muitas vezes eles nos identificam, embora isso nem sempre nos traga qualquer benefício. Li há pouco tempo, na revista Sábado, a notícia de um caso passado no Reino Unido. Uma mulher de 85 anos vivia sozinha num apartamento de uma rua movimentada de Edimburgo e era conhecida da vizinhança porque passava na rua 4 vezes por semana, calçada com botas e mochila às costas, equipada para os passeios que costumava dar. Nos últimos 5 anos ninguém estranhou a sua ausência. A reforma continuava a vir para a sua conta bancária e as suas contas pagas através do banco. E foi passado esse tempo que o vizinho do andar de baixo se queixou por problemas de infiltrações surgidos no tecto e a falta de resposta da inquilina. A polícia teve de intervir e encontrou o corpo desta mulher sem vida. São situações quase inimagináveis, mas que, infelizmente, acontecem.
Há aqueles hábitos que se tornam rituais que cumprimos religiosamente. Eu sou uma pessoa de hábitos, que giro com uma certa rigidez, e sinto-me um pouco perdida quando a minha vida foge à rotina. Sou especialista em gestos que até podem passar despercebidos a quem me conhece e lida mais de perto comigo, que são reflexos involuntários dos quais eu própria nem me apercebo. Gosto muito da simetria, cada coisa no seu lugar, colocada de uma certa maneira. A toalha que está descaída de um lado, o armário com a porta entreaberta, a cadeira um pouco afastada da mesa, são situações que me obrigam a intervir de imediato. Cada doido tem as sua manias!
Infelizmente, há hábitos que se transformam em vícios, que prendem as pessoas nas suas malhas e podem arruinar as suas vidas, como o álcool e a droga. E aqueles hábitos que se vão perdendo pouco a pouco e levam as pessoas muitas vezes ao isolamento, ao distanciamento dos outros. Nestes casos é muito difícil qualquer tentativa de ajuda, de aproximação, porque não há receptividade nem abertura. A perda de hábitos acaba por levar à solidão que vai invadindo a vida dos idosos, dos esquecidos, dos marginalizados…
Não me posso esquecer: Em Setembro começam de novo as minhas aulas de hidroginástica !

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

RECORDAÇÕES

Há poucos dias reuniu-se a família no aniversário do nosso filho mais velho. Com jeitinho conseguiram sentar-se 16 pessoas à mesa para um almoço preparado pelo aniversariante. São momentos como este que enchem de alegria os nossos corações e há sempre tanto para recordar quando estamos juntos! Uma frase, que já não ouvia há muito tempo, surgida na animação da conversa, transportou-me ao passado:” Mamã, olha o meu irmão!”. Naquele momento, recordei as suas travessuras da infância, as quezílias, as queixas e lamúrias, as partidas, nem sempre bem aceites pelos visados, as emoções vividas por experiências partilhadas, algumas das quais, nós, os pais, estávamos longe de imaginá-las. As brincadeiras na rua, que às vezes terminavam em choro, mas que eram sempre as preferidas: uns pontapés na bola, as descobertas de novas aventuras, e por aí fora.
Lembro-me que o elevador do nosso prédio, dos primeiros nas redondezas, era procurado por toda a criançada do bairro e da que passava para as escolas. Apesar dos ralhos ou dum puxão de orelhas dado por algum vizinho mais irritado com toda aquela paródia, a miudagem não desistia. Era ouvi-los para baixo e para cima, a parar o elevador em todos os andares, numa algazarra constante. O pior é que, de volta em meia, éramos obrigados a usar as escadas, porque o dito elevador não resistia a tantas provações…
Hoje, se não estou em erro, há apenas umas três crianças nesta zona, mas procuramos todos manter as portas de entrada bem fechadas, receando visitas menos bem intencionadas. O elevador está mais silencioso e a sua manutenção mantém-se dentro das normas estabelecidas, sem chamadas de emergência. Vamos à janela, e a qualquer hora olhamos alguns carros procurando um lugar para estacionar. Os gatos passeiam-se tranquilamente nas traseiras, aguardando a hora da próxima refeição, que uma senhora da vizinhança tem sempre o cuidado de lhes proporcionar. As pombas passam o dia debicando aqui e ali, em perfeita confraternização com as gaivotas e os felinos. Um passarinho numa gaiola faz ouvir os seus trinados. Amanhã, serão estas as recordações que levarei deste presente e, graças a Deus, porque apesar das coisas menos boas da vida, vão surgindo sempre os momentos mais felizes, que me deixam gratas lembranças e me fazem sentir que tenho sido sempre muito abençoada com a família que tenho, com as amizades que fui criando nesta linda cidade que me adoptou há já muitos anos!

domingo, 5 de Julho de 2009

VIVER O PRESENTE

Num programa recente da Oprah, quem assistiu viveu, certamente, com emoção a apresentação de alguns casos de crianças que desde o seu nascimento vivem com deficiências físicas que, só após operações difíceis e demoradas, têm, pouco a pouco, conseguido melhorar a sua qualidade de vida. Felizmente os avanços da Medicina têm permitido que às mulheres grávidas sejam feitos exames que podem já detectar, com alguma certeza, se o feto apresenta disfunções que venham a pôr em causa o seu crescimento normal, antes e depois do nascimento. Foi o caso apresentado de uma jovem mulher, que às 38 semanas de gravidez, lhe foi dito que o seu bebé era portador de Trissomia 18 e que as suas possibilidades de vida eram diminutas. Depois de confrontados com a realidade da situação, o casal tudo fez para, com alegria, levar a vida o mais normal possível, aproveitando todos os minutos que iriam poder gozar com o seu bebé. Pensando em outros pais, que pudessem estar a passar pelo mesmo, o pai começou a escrever todos os dias uma carta ao filho, descrevendo o que se ia passando. Mãe e pai faziam turnos para lhe darem o biberão, tarefa que demorava uma hora e meia, aliada a muitos outros cuidados que lhe iam mantendo a vida. As cartas continuaram a ser escritas, as fotografias encheram os álbuns e aqueles pais foram assim aproveitando cada dia da curta vida que o sei filhinho iria viver. Os seus três meses de vida foram sendo comemorados até à sua partida deste mundo com 99 dias… Mais de 3 mil fotografias ficaram para recordar a sua curta passagem pela vida! Sentiam-se felizes por terem desfrutado do lento mas precioso desenvolvimento do seu bebé!
De sua casa nos U.S.A. participavam no programa. Falaram da sua experiência, mostraram fotografias e contaram da importante colaboração dum amigo que lhes permitiu fazer um vídeo de tributo ao seu filho, que inclui as cartas e as fotografias. Esperam em breve o nascimento de um irmãozinho para o Ben. Quando a apresentadora do programa manifestou a sua admiração pela coragem que eles mostraram e a tristeza que certamente sentiam enquanto preparavam aquele vídeo, a mãe dizia a sorrir: ”Posso ficar triste depois. Tenho muito tempo para chorar”.
Aqueles pais viveram cada momento de partilha com o seu menino, agradecendo a Deus os 99 dias em que tinham sido uma família feliz, apesar de todas as dificuldades que iam surgindo e sabendo o que o futuro lhes reservava. Os momentos difíceis ajudaram a crescer e a partilhá-los com todos aqueles que possam ter acesso ao vídeo. Eles souberam aproveitar cada dia da melhor maneira, sem estarem preocupados em viver o amanhã.
“Posso chorar depois”…Uma lição para todos nós!

sábado, 30 de Maio de 2009

AMIZADES

“Um amigo nobre e bom, nunca nos será definitivamente roubado, porque deixará um rasto de luz nas nossas vidas”.
Todos nós temos amigos com quem partilhámos muitos momentos da vida. Os amigos da infância, que cresceram connosco, companheiros de brincadeiras, colegas de escola; amigos mais chegados, com quem trocámos confidências, de quem nos tornámos inseparáveis. Mas, a pouco e pouco, cada um foi dando novo rumo à sua vida , fomos perdendo o contacto e hoje fazem parte das nossas lembranças do passado. Mas, felizmente, ainda há aqueles a quem continuamos muito ligados, embora não os vejamos com frequência. Ouvimos a sua voz no telefone, trocamos mensagens e de tempos a tempos passamos alguns momentos juntos numa boa conversa. São as grandes amizades que permanecem intactas, não importa a distância que nos separe ou o tempo que podemos passar sem nos vermos.
Mas há aqueles amigos que, em qualquer circunstância, estão sempre ao nosso lado, amigos carinhosos , compreensivos, afáveis, com quem sabemos que podemos sempre contar. Tenho uma amiga muito querida, com 93 anos. A nossa amizade foi-se fortalecendo com o passar dos anos. Recordo com um misto de satisfação e saudade as nossas conversas , num espírito de abertura e cumplicidade, sempre mantidas num relacionamento de delicadeza e respeito mútuo. Hoje, a sua idade e saúde, não permitem passeios pela cidade, nem amenos diálogos à mesa do café, mas a nossa relação de amizade irá manter-se até que Deus queira!
“ O mundo parece muito vazio, se só pensarmos em montanhas, nos rios e cidades…, mas se há alguém, em algum lugar, que pense em nós e sinta como nós e que, apesar da distância, está perto em espírito, então a Terra converte-se num jardim habitado.” Goethe.

sábado, 23 de Maio de 2009

Luta pela sobrevivência

sábado, 16 de Maio de 2009

TRABALHO. E A IDADE ?!

Recordo-me de há alguns anos ter ficado muito admirada quando soube que um amigo meu se tinha reformado com 48 anos. Achei que com aquela idade um homem está no auge das suas capacidades, com suficiente energia e maturidade, além da experiência e conhecimento que adquiriu na área onde exerceu a sua actividade profissional. Retirar-se do activo, não me pareceu uma boa opção. Fui-me dando conta que ele não era um caso isolado, tendo conhecimento que muitas outras pessoas, por iniciativa própria ou a convite da entidade patronal, entram na pré-reforma depois de acordos feitos entre ambas as partes. Tudo bem, cada um é livre para decidir o que acha mais conveniente para o seu futuro, sobretudo quando tem a possibilidade de escolher e se desejar continuar a estar activo encontra sempre que fazer.
Nestes tempos de crise que estamos a atravessar a realidade é outra. As pessoas perdem os empregos, mas precisam de continuar a trabalhar para poderem satisfazer os seus compromissos e fazer face às necessidades do dia-a-dia. Não se pode viver com o mínimo condições quando não se tem fontes de rendimento. Uma grande parte das pessoas que têm vindo a perder os seus empregos, à partida já sabem que lhes vai ser muito difícil, ou quase impossível, encontrar trabalho, porque têm mais de 40 anos… E, isto acontece, porque os empregadores, que precisam de estar atentos à competitividade do mercado, apostam no rejuvenescimento do seu pessoal. A idade passa a ser um impedimento e assim se vai desvalorizando o trabalho dos mais velhos…
Passo a transcrever um trecho de José António Saraiva , na revista TABU, de 05/07/08 que diz:

“ A atribuição de trabalhos a jovens é boa em muitos casos – como é boa a conservação em certos lugares de pessoas com alguma idade mas que deram provas de manter a juventude de espírito, o gosto pelo trabalho e a abertura à mudança.
Desprezar os jovens por serem inexperientes é mau – como mau é dispensar prematuramente os mais antigos por serem “demasiado” experientes.
Como em tudo na vida, a verdade raramente está num extremo – está, normalmente, no equilíbrio. Um equilíbrio sábio, em que se aproveite a sabedoria e maturidade dos mais velhos potenciada pela energia e pelo entusiasmo dos mais novos.
Mesmo na arte, não há regras. Não nos esqueçamos de que, se Mozart compôs o Requiem com 35 anos, Saramago escreveu os seus melhores livros depois dos 60. Todas as fases da vida têm forças e fraquezas. O segredo é tirar de cada uma o melhor rendimento.”

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Mais um talento no Britains Got Talent 2009

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sábado, 2 de Maio de 2009

DIA DA MÃE

Num pequenino livro com pensamentos dedicados às mães, eu encontrei este, que diz : “Tanta doçura a mãe encerra que Deus para ter mãe deixou o céu e desceu à terra”.
Para muitos, Maria é alguém que, pelo facto de ter sido escolhida por Deus para ser mãe do seu Filho, se tornou num ser divino a quem prestam culto, dirigem as suas preces e fazem promessas que vão até ao sacrifício. Para nós, crentes evangélicos, Maria foi escolhida por Deus para, através do poder do Espírito Santo, conceber e dar à luz o Seu filho, o Deus feito homem, que desceu à Terra para anunciar aos homens a Boa Nova da Salvação e dar a Sua vida em resgate pelos nossos pecados. Entre todas as virgens de Israel, Maria foi a eleita por Deus para ser mãe de Jesus, porque Ele encontrou nela virtudes que a tornavam diferente de todas as outras. Como todo o ser humano, Jesus tinha de nascer de uma mulher, tinha de ter uma mãe. Embora Ele fosse divino, a presença da mãe a Seu lado, o amor, o carinho que dela iria receber, não podiam ser dispensáveis, pois Jesus iria crescer como todas as crianças.
Alguém disse que “a mãe é o ser que prepara na sua própria carne a pessoa humana destinada à eternidade”: Tarefa importante a dela!
O que é para nós uma mãe? Qual é a imagem que temos da nossa mãe? E de nós, mulheres, que somos mães? Nestes últimos tempos eu faço constantemente avaliações à minha vida. Transporto-me ao passado, volto de novo a ser criança e jovem, lembro-me de situações que vivi e recordo com muita saudade a minha mãe e sinto que falhei algumas vezes como filha. Certamente que isto se passa com todos nós quando atingimos uma idade mais avançada e vemos a vida com outros olhos.
Quando os meus filhos eram crianças eu preocupava-me com o seu bem-estar, com a sua felicidade, mas hoje, os meus cuidados não diminuíram, parece até que aumentaram. Continuo a estar atenta, sofro com as suas tristezas e alegro-me com as suas alegrias . Embora eles já sejam independentes, com família constituída, a minha experiência de vida e também as transformações constantes que vou observando na sociedade em que vivemos, têm-me tornado mais sensível e mais receosa ao mesmo tempo. Mas qual é a mãe que não se preocupa com os filhos, mesmo quando eles já são homens e mulheres?!
Todos nós conhecemos mulheres que criaram sozinhas os seus filhos. Algumas tiveram a ajuda dos seus familiares, outras, para fazer face à vida, deixaram-nos em colégios onde permaneceram até serem jovens. Outras, viram-se obrigadas a entregar os filhos a outras pessoas, para que eles pudessem gozar dos cuidados que elas não lhes podiam dar, e assim foram-se quebrando muitas vezes os laços afectivos. Mas isso continua a acontecer nos nossos dias.
Há muitos anos conheci uma mulher que tinha um filho pequeno para criar, uma criança doente, que sofria de asma. Andava de casa em casa a buscar lavagem para os porcos que criava. Trabalhava também como empregada doméstica e, assim, iam sobrevivendo. Algum tempo depois, começou a trabalhar na nossa casa. Acompanhei de perto a sua labuta pela vida. Durante anos e anos, ela lavou chãos, lavou roupa, cozinhou nas casas onde trabalhava. Durante os meses de verão vendia bolos na praia. Calcorreava o areal duma ponta à outra, dobrada sob o peso dos baús, debaixo do calor e sol. Nunca lhe ouvi um queixume, uma palavra de revolta contra a vida que lhe era madrasta. Foi uma segunda mãe para os meus filhos, a quem tratou sempre por “meninos” (foi assim que tinha aprendido quando, em nova, começou a trabalhar…). Era uma pessoa muito educada. Nunca lhe ouvi uma palavra menos própria.
Passados anos, o filho estabeleceu-se em Lisboa, mas o negócio corria-lhe mal. “Ele nunca teve sorte, já nasceu sem ela…” dizia-me ela com amargura. E lá ia ela de quinze em quinze dias para Lisboa, tratar-lhe da roupa, cuidar da casa e escutar os seus desabafos, pois ele vivia só. Algum tempo depois mudou-se definitivamente para casa do filho. Um dia, falando com o Tó, como é conhecido, ele dizia-me: “Eu não tenho sido um bom filho, não lhe tenho dado a ajuda que ela precisa. A vida tem-me corrido mal e os problemas sucedem- se. Ela é que tem sido o meu amparo. Mesmo que não lhe queira falar das minhas dificuldades, ela adivinha-as e sofre muito com isso”. Lembro-me deste pensamento: “Ó mãe, perdoa-nos por não te termos dedicado o amor que mereces, tu, que vives exclusivamente para nós e por nós vais morrendo dia-a-dia”
A Senhora Lídia faleceu há perto de dois meses, já com os seus 90 anos. Sozinho, o filho cuidou dela até ao fim.
Mãe e filho, exemplos a registar numa sociedade tão falha de valores! Presto a minha singela homenagem a uma grande Mãe e a um bom Filho !
Quero deixar aqui um esclarecimento: Os cristãos evangélicos celebram há quase 100 anos o “Dia da Mãe” no 2º Domingo de Maio. Em 1912, numa comunidade evangélica da cidade de Filadélfia, nos USA, um grupo de jovens juntou-se para homenagear a mãe de Ana Jarvis, uma jovem que tinha perdido a sua mãe. Outras igrejas abraçaram a ideia e a 10 de Maio de 1913 realizou-se a primeira comemoração oficial do “Dia da Mãe” e no ano seguinte foi declarada a celebração deste dia em toda a América do Norte. Outras igrejas evangélicas ,pelo mundo fora, foram reservando esta mesma data para homenagear as suas mães, assim como também muitas igrejas católicas romanas. No nosso país os católicos romanos celebram este dia no 1º Domingo de Maio.

sábado, 18 de Abril de 2009

Absolutamente fantástico e comovedor

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Sarah Boyle - "I Had A Dream" - Britain Got Talent - 9 de Abril 2009

quinta-feira, 2 de Abril de 2009

PARA REFLECTIR

“Um facto: Portugal é um dos países do mundo que tem a população mais envelhecida. Outro facto: são cada vez mais os idosos abandonados pela família. Com a desumanização da sociedade, os pais são considerados um estorvo para muitos. Por isso se assiste durante as épocas do Natal e das férias a um dos actos mais hediondos dos tempos modernos. Filhos que abusam, por exemplo, na medicação dos pais para que estes se sintam mal e fiquem internados durante as festas. Diz muito de quem o faz …
Além desses períodos especiais, também durante os restantes dias do ano os progenitores, quando deixam de ser auto-suficientes, são abandonados. Quem pode financeiramente trata de os colocar num lar, não se preocupando com a qualidade do mesmo. Longe da vista, longe do coração. Já quem não tem dinheiro procura passar bem ao lado da casa onde cresceu e viveu toda a infância e onde continuam a viver os pais. É uma chatice, pensam. Acredito que muitos daqueles que têm tal comportamento terão um final idêntico. Se são esses valores que cultivam, hão-de colher da mesma semente.
Não perceber que a vida é um ciclo em que nascemos, crescemos e ficamos outra vez crianças é algo de aterrador. Tenho visitado diversos hospitais e fico sempre com um nó na garganta quando vejo tantos e tantos idosos abandonados pelos familiares. Pessoas que se sentem perdidas e para quem um pequeno gesto representa muito. É impressionante a alegria dos doentes quando aparecem as senhoras da bata amarela com um chá quente ou um pacote de bolachas. Nesta edição damos conta dom trabalho da equipa de Apoio Domiciliário 24 Horas da Misericórdia de Alhos Vedros, concelho da Moita. Alguns são autênticos heróis no serviço que prestam. Sete vezes por dia, os idosos acamados são visitados, sendo-lhes trocadas as fraldas e dada comida. Haverá quem o faça por dinheiro, mas há seguramente mentes brilhantes nesse campo.”
(da Revista “TABU”, de 28.03.09, Vitor Rainho)

sábado, 28 de Março de 2009

DEIXAR VIVER

No meu blog do dia 14 de Julho falei duma senhora amiga , já idosa, que recusa qualquer tipo de ajuda que as amigas lhe querem prestar. Continuamos a chamar-lhe a atenção para que ela procure viver com mais qualidade de vida, sair da solidão a que chegou abrindo-se ao convívio com as pessoas. A sua saúde tem vindo a debilitar-se, consequência duma doença oncológica que ela se recusa tratar. A televisão, que era a sua distracção e companhia, o Inverno rigoroso partiu a antena do telhado e deixou de funcionar. O cabelo cai-lhe enfraquecido nos ombros, mas não vai cortá-lo. Passou a receber há alguns anos o apoio duma instituição de solidariedade que lhe fornece o almoço e lhe poderia também tratar da limpeza da casa e da lavagem da roupa, mas recusou. Estes e muitos outros problemas, que não interessa aqui mencionar, deixam-nos tristes e preocupadas. De novo procurámos ajuda junto dos serviços de saúde. Esta semana foi visitada por um funcionário da Delegação de Saúde e uma enfermeira do Centro de Saúde, que lhe chamaram a atenção para a necessidade urgente de ir ao médico, de cuidar da sua higiene e da limpeza da casa, mas ela mostrou-se peremptória na recusa de qualquer ajuda, manifestando descontentamento pela ingerência na sua vida. Disse-lhes que tem amigas que a visitam e a aconselham ( mas só a muito poucas ela franqueia a porta para uma curta visita, mesmo que estas sejam esporádicas …). E não podem ser tomadas outras medidas porque ela está ainda no pleno gozo das suas faculdades. É o que nos dizem.
Está, pois, afastada a hipótese de continuarmos a criar expectativas na melhoria da qualidade de vida desta nossa amiga, embora elas fossem cada vez menos. Iremos continuar a visitá-la e deixar que as nossas palavras lhe levem algum consolo e a reanimem, porque, como ela diz “Eu não sou feliz e nem sei o que me poderia fazer feliz…”
Foi-nos dito que, se o seu estado de saúde piorar, basta contactar a sua médica de família que ela logo lhe prestará os cuidados necessários. É muito bom saber que podemos contar com a sua ajuda.
Pelo que nos informaram, há muitas pessoas que vivem em piores condições e não têm quem se preocupe com elas. Porém, a nossa amiga pode contar connosco, assim ela o deseje.
Deixo aqui duas estrofes dum cântico que ela gosta muito:

Com Tua mão, segura bem a minha,
Pois eu tão frágil sou, ó Salvador.
Que não me atrevo a dar nem um só passo,
Sem Teu amparo, meu Jesus Senhor!

Com Tua mão, segura bem a minha,
E pelo mundo alegre seguirei;
Mesmo onde as sombras caem mais escuras,
Teu rosto vendo, nada temerei !

terça-feira, 10 de Março de 2009

Mário Crespo entrevista Medina Carreira - um olhar importante sobre a realidade portuguesa

sábado, 7 de Março de 2009

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Foi a 8 de Março de 1857 que as operárias de uma fábrica têxtil em Nova Iorque iniciaram, com manifestações de protesto, a sua luta pela redução do horário de trabalho e melhoria de salários. Em 1910, com a participação de pessoas de alguns países da Europa, foi decretado o Dia Internacional de Trabalho e, mais tarde, a Organização das Nações Unidas oficializou o ano 1975 como o Ano Internacional da Mulher.
De então para cá muitas mulheres em diferentes áreas têm lutado para que a mulher tenha um papel mais activo num mundo dominado pelos homens. Existem leis que protegem a mulher, concedendo-lhes direitos e igualdade de oportunidades, mas o facto é que ocorrem ainda descriminações tanto a nível social, como nos locais de trabalho e na família. Ultimamente, por exemplo, têm-nos chegado notícias do aumento da violência doméstica e sabemos também da prioridade dada aos homens em algumas empresas pela desvantagem que vêem na contratação de mulheres grávidas com a perspectiva de faltas ao trabalho para assistência aos filhos. Há ainda a ideia da fragilidade das mulheres e da sua maior sensibilidade em campos onde a força e a frieza são exigidas. Mas as mulheres são bons exemplos da duplicidade de funções, trabalhando fora de casa e cuidando da família, corajosas quando enfrentam situações difíceis, com capacidades indiscutíveis na sua entrega às causas que defendem, reconhecidas nas funções que desempenham pelos seus méritos e tantas coisas mais que as caracterizam.
Temos também a política, onde os homens levam a vantagem. A propósito, já tenho pensado muitas vezes como resultaria a experiência de um país governado só por mulheres, o nosso, por exemplo. Há uma certa tendência , falo em excepções, claro, de algumas mulheres em cargos de liderança, se tornarem frias e abusarem dos poderes que lhes são conferidos, talvez como forma de vincarem a sua posição de minoria. Tenho a certeza que, no Parlamento, o ambiente seria de agitação constante, cada membro a intervir sem esperar pela sua vez e a presidente da Assembleia de mãos na cabeça, sem conseguir fazer-se ouvir. Isto com mais alguns pequenos itens à mistura…Mas, como da discussão nasce a luz, os resultados iriam surpreender os portugueses. Quem sabe se teríamos leis mais favoráveis ao desenvolvimento do país e às condições de vida dos cidadãos. Posso já imaginar os gritos da multidão: “Mulheres à frente, o povo está contente”!

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Instinto Animal

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

O COMÉRCIO TRADICIONAL

Normalmente quando ando pela cidade há determinadas ruas que fazem parte do meu percurso habitual e que, por sinal, são aquelas onde mais se concentram as pequenas lojas que constituem o comércio local. Algumas já vieram substituir outras mais antigas, embora haja ainda algumas , pertencentes a comerciantes já idosos, que com amabilidade e respeito se empenham em bem servir os seus clientes. O movimento que tinham, especialmente no verão, com a vinda dos turistas espanhóis , por exemplo, é muito reduzido, mas muitas pessoas ainda sabem onde se dirigir quando procuram determinados artigos de referência dessas lojas.
Os tempos mudaram e a moda é actualizada em cada estação, no que se refere ao vestuário, com as novidades ditadas pelas grandes marcas e copiadas com algumas modificações e qualidade dos materiais. Mas o mercado está fraco e é com tristeza que eu passo e vejo as lojas desertas e nem mesmo as inevitáveis compras de Natal lhes trazem o movimento que, há muitos anos atrás, obrigava o pessoal a andar numa roda viva, atendendo cliente atrás de cliente. Acontece que as preferências pessoais foram mudando e substituídas por escolhas mais acessíveis em termos de custos, que, conjugadas com os novos padrões da moda, foi levando os interessados a procurarem as grandes superfícies, onde a diversidade é referência e permite uma maior possibilidade de escolha. Depois, isto falando em termos locais, o mercado chinês invadiu a nossa cidade. Se eu não estou em erro, há, pelo menos, 11 lojas chinesas, algumas bem perto umas das outras, abertas todos os dias do ano, salvo uma ou outra excepção. E uma coisa é certa, elas vieram para ficar e têm todo o direito de se expandirem, até porque gozam de vantagens derivadas de acordos feitos entre o seu governo e o nosso. Oferecem uma diversidade de produtos que vendem a preços mais vantajosos, embora a qualidade seja uma desvantagem. Mas estou quase certa que estas lojas não conseguem escoar a mercadoria que vão acumulando nos corredores e prateleiras.
Quando vejo uma loja nova fico apreensiva e chego a pensar que não foi uma boa opção do seu proprietário. Porque o que normalmente acontece é não conseguirem manter-se abertas por muito tempo. Houve investimento, competitividade na oferta, mas o consumidor , ou por indiferença ou pela necessidade de cada vez mais moderar as suas despesas e procurar mercados alternativos, não ajuda a que se mantenha o negócio.
As pequenas lojas a que nos acostumámos parecem ter os dias contados. Li num semanário que “no comércio tradicional, por cada loja que abre, fecham cinco”. Prevê-se que “30 mil pessoas podem perder o emprego devido ao fecho de lojas, que deverá agravar-se este ano” (SOL, 24.01.09). Não é uma situação nova, ela tem vindo a agravar-se de ano para ano, salvo raras excepções, que sempre as há, e não se vêem perspectivas de um retorno aos tempos áureos do comércio tradicional. Cada dia se vão criando novas formas de mercado competitivo. E as pessoas que hoje correm para as grande superfícies, onde se habituaram a fazer as suas compras, amanhã, quem sabe, não irão dar preferência às lojas tradicionais , porque fizeram do seu estilo a sua referência e apostaram na qualidade da sua mercadoria? O desafio e a esperança num futuro melhor podem servir de estímulo a uma nova era do comércio tradicional!

segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Está bem...façamos de conta

"Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos".

Mário Crespo, JN

sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Vale a pena ouvir José Sócrates, no tempo em que Santana Lopes era primeiro-ministro

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

"OS JORNALISTAS RELATAM A VERDADE ?"

Numa das suas habituais crónicas na Revista TABU, José António Saraiva debruçou-se sobre a actividade jornalística e todo um conjunto de explicações que justificam, hoje em dia, as notícias que chegam ao público. Pela minha parte e com todo o respeito que me merecem, eu classifico os jornalistas, de um modo geral, como “criadores de notícias”, e que me levam muitas vezes a pôr em dúvida a veracidade das mesmas. Interrogo-me se haverá necessidade de dar tanto ênfase a situações que ridicularizam e chegam até a pôr em causa a honorabilidade das pessoas atingidas. Os comentários de José António Saraiva ajudam-nos a compreender as razões que explicam a manipulação da realidade.

“Podemos ou não acreditar nos jornais? Podemos ou não confiar nos jornalistas? O que os jornais dizem reflecte ou não reflecte fielmente a realidade?
Nunca haverá consenso sobre estas questões.
Os políticos dizem-se invariavelmente prejudicados pelo que os jornais, as rádios e as televisões escrevem ou dizem. E, em geral, quem é objecto de notícias ou comentários na imprensa considera-se injustiçado. É muito raro ouvir alguém concordar com uma notícia ou um comentário a seu respeito. Há sempre uma correcção a fazer, uma objecção a colocar, qualquer coisa que está a mais ou a menos.

“O que verdadeiramente importa – e sobre isso fala-se estranhamente muito pouco – é o seguinte: os meios de comunicação social, pela sua própria natureza, darão sempre uma imagem errada, distorcida, da realidade.
A realidade e o modo como os “media” a reflectem serão sempre duas coisas distintas.
Porquê?
Porque aos “media” não interessa a regra – interessa a excepção. Aquilo que é banal, que é rotineiro, não é notícia: a notícia é o que surpreende, o que escapa à rotina.
Ora a realidade faz-se da regra e não da excepção, do que é comum e não do que é incomum.”

“ Mas quantas “realidades” muito longe da realidade, feitas de excepções, de situações incomuns, os jornais, as rádios e os canais de televisão não constroem a toda a hora?”

“Assim, quando se diz que os “media” não reflectem a realidade, tal é inteiramente verdade só que não tem que ver, necessariamente, com a maior ou menor seriedade dos jornalistas. Tem que ver com a própria natureza dos “media”.
Se o que é notícia é a excepção, é a anormalidade, é o que é invulgar, como podem os “media” reflectir fielmente a realidade?”

“Ao seleccionar só o que é anormal, a imprensa, a rádio e a televisão dão uma imagem falsa da realidade.
Claro que a competição na área mediática, que hoje é brutal, agrava esta tendência.
Hoje os jornalistas procuram as notícias com mais sofreguidão, escrevem-nas com mais colorido, titulam-nas com mais agressividade – porque é essa capacidade de causar surpresa que vai marcar a diferença.
No impacto que as notícias possam causar está hoje muitas vezes o segredo do sucesso ou insucesso de um dado meio de comunicação.
E, portanto, é muito tentador para um jornalista sacrificar a verdade para não perder uma boa história.
Mas, repito: o importante é perceber que a distorção da realidade está na própria natureza dos “media”.


sábado, 17 de Janeiro de 2009

SALÁRIOS, ATÉ QUANTO ?

No programa Fórum, transmitido durante a semana na rádio TSF, os ouvintes são convidados a participar, fazendo os seus comentários, sobre um tema da actualidade. Na semana passada, após a confirmação da entrada em recessão do nosso país, um dos participantes, depois de várias considerações sobre o que deveria ser feito para atenuar a crise, propunha que não fossem atribuídos salários superiores ao do Presidente da República. Posso imaginar, se isso fosse realmente estabelecido, qual seria a reacção dos gestores de algumas empresas públicas , que auferem salários exorbitantes, alguns beneficiando já de boas reformas e a acrescentar ainda as regalias dum carro à disposição, cartão de crédito, subsídios generosos quando se deslocam em serviço além de outros que nos escapam. Tudo isto totalizará uma quantia que ultrapassa em muito o salário atribuído ao chefe da nação. Certamente que ao serem concedidos esses cargos foram tidas em atenção o nível das suas qualificações académicas, as provas já dadas das suas capacidades de trabalho e a esperança de poderem vir a ser uns bons profissionais. Mas será que isso obriga a que lhes sejam pagas remunerações tão elevadas?!
É de considerar também os enormes salários que alguns jogadores de futebol recebem, especialmente os que jogam em grandes clubes do país, pois constituem uma afronta para todos aqueles que têm de trabalhar toda a vida para conseguirem uma reforma que lhes dê alguma segurança na velhice, e mais ainda, para aqueles que nem isso conseguem … E isto, não tendo em conta os prémios, as campanhas publicitárias que fazem, etc. etc. E estes ganhos são justificados alegando-se que são obrigados a deixarem os relvados muito cedo. Tenho imensa pena deles !!! E o dinheiro que investem, os negócios em que se envolvem, as quantias que depositam nos bancos, não lhes garantem um futuro confortável, continuando a manter o nível de vida a que se habituaram? Só se foram perdulários e gastaram sem pensar no dia de amanhã.
O abrandamento da economia, que se tornou numa crise global, vai levar ao encerramento de mais empresas e, consequentemente, ao despedimento dos seus trabalhadores ou à redução de postos de trabalho. E o enorme fosso entre ricos e pobres, que já se verificava no nosso país, vai aumentar e agravar as situações de pobreza que a pouco e pouco irão surgindo, afectando uma boa parte da nossa população.
Há sempre um conjunto de razões que irão justificar a existência da pobreza no mundo, nos seus variados escalões. Nem todos têm capacidade para orientar as sua vidas, outros, as adversidades fazem-lhes perder a vontade de lutar, e quantos não levam uma vida de trabalho árduo e nunca conseguem os meios para poderem viver com dignidade. E há aqueles que se recusam a trabalhar e, a pouco e pouco, as suas vidas vão-se degradando. Mas agora estamos perante uma nova pobreza, que são todos aqueles que, de um momento para o outro, perderam os seus empregos e vêem as suas vidas destroçadas pela incapacidade de poderem continuar a fazer face aos seus compromissos e a sentirem que se tornam poucas as possibilidades de voltarem a ter um trabalho estável. Em princípio, terão direito ao subsídio de desemprego, ao rendimento mínimo, mas só por um período de tempo. E depois, se não conseguirem voltar a equilibrar as suas vidas, que perspectivas podem ter para o futuro, que reforma receberão na velhice? Entretanto, aqueles que recebem os tais salários milionários, continuarão a viver desafogadamente, com ostentação até, e sem preocupações no futuro.
Li há momentos na Revista Visão desta semana, que os inquiridos da primeira sondagem do projecto “Nós, Portugueses” dizem que um salário de 5000 euros é de milionário; um de 560 euros marca a fronteira da pobreza. Qual é a reforma mínima em Portugal? Quantos já estão no limite da pobreza? E quantos mais a atingirão? Quem vai ajudar a resolver esta situação? O Estado, que atribui grandes salários aos seus gerentes? Tantas interrogações para tão poucas certezas…


sábado, 10 de Janeiro de 2009

"Tudo isto é um nojo" - Medina Carreira

quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Os Pequenos Ditadores

Carta da Semana
Expresso

domingo, 28 de Dezembro de 2008

A ESPERANÇA NUM MUNDO MELHOR

Num mundo tão perturbado e tendo consciência que me ultrapassam muitas das cruéis realidades que afligem a humanidade, o futuro deixa-me muito inquieta. É sempre muito difícil conseguirmos avaliar as situações quando não as vivemos, mas por tudo o que nos é transmitido pelos órgãos de comunicação, nós sabemos que os tempos que atravessamos não são os melhores e irão deixar marcas bem profundas na História da humanidade. Apesar de todo o mal-estar que se vai avolumando com todas as notícias que nos chegam e que não excluem o nosso país, há sempre a esperança que os acontecimentos que se prevêem tenham um desfecho diferente daquele que se imagina. E se cada um de nós contribuir para amenizar as tensões que se criam no pequeno mundo onde nos movemos? Se o fizermos já estamos a ajudar na construção duma sociedade melhor. Procurando viver em paz com aqueles que nos rodeiam, lutando contra as injustiças que teimam em oprimir os mais fracos, manifestando a nossa solidariedade com os desprotegidos, numa palavra, amando o nosso próximo como a nós mesmos. Como este mundo poderia ser diferente se cada homem olhasse o outro como seu irmão e Deus como seu Senhor!
Oxalá, ao contrário do que a actual situação nos deixa antever, o ano de 2009 nos surpreenda com um melhor relacionamento entre as nações, o baixar das armas, o empenhamento profundo de todos aqueles que têm o poder nas suas mãos, para que todo o ser humano possa viver com a dignidade a que tem direito, o cuidado colectivo na preservação do nosso planeta. Que todos possam dar as mãos e trabalhar para que neste mundo nos possamos sentir felizes!

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

A SOLIDÃO

Ouvi de alguém estas palavras “As pessoas sentem-se solitárias porque constroem paredes em vez de túneis”. Mesmo quando não se quer admitir que nos sentimos sós, deixamos sempre escapar um ou outro desabafo que alguém mais atento compreenderá que afinal não nos é assim tão fácil conviver com a solidão. Posso referir, particularmente, aqueles que vivem sozinhos , independentemente da sua classe social, por opção ou imprevistos da vida, como um divórcio, a morte de familiares ou, por exemplo, os filhos que deixam a casa para seguirem as suas carreiras profissionais ou constituírem família. Entre estas pessoas estão também os mais idosos, que para combater a solidão recorrem aos centros de dia, regressando só ao final da tarde, ou aqueles que, por decisão própria, vão para os lares da terceira idade para se sentirem mais acompanhados. Que dizer, então, de crianças, adolescentes e jovens, que se sentem sós, embora tenham a companhia dos seus colegas de estudo e em casa uma família que os apoia? E os mais velhos, com família constituída e uma vida activa? Será que não há momentos em que se sentem solitários? Porque podemos ter um mundo de pessoas à nossa volta e no entanto sentirmo-nos sós! Penso que muitos de nós já vivemos essa experiência, conseguindo até passar a imagem de sermos pessoas fortes, sempre de bem com a vida e até com pouco tempo disponível, para termos alguns momentos só nós! Seja qual for a nossa idade, ou pela nossa dificuldade em comunicar com os outros ou pela pouca disponibilidade de tempo para conviver, a verdade é que muitas vezes nos sentimos sós.
Lembro-me de uma amiga que, com muita dificuldade e até má vontade, aceita a visita dos que lhe querem amenizar a solidão. São situações difíceis, porque estas pessoas , a pouco e pouco foram-se isolando, perdendo hábitos sociais e não só, e as visitas deixam de ser bem vindas. São as tais paredes que se vão construindo e que se transformam em barreiras difíceis de derrubar. Mas, um telefonema que se atende, a porta que se abre a um amigo e um passeio numa tarde soalheira, são pequenas brechas que se vão abrindo e que podem levar aos tais túneis, que irão conduzir ao mundo do qual se foi fugindo, por vontade própria ou pelas circunstâncias que a vida impôs. No pouco tempo que estou com a minha amiga, aconselho-a a sair de casa para passear, conviver com outras pessoas e não estar sempre sozinha, como acontece já há vários anos. E ela responde-me com estas palavras: “ Eu não estou sozinha, o Senhor está sempre comigo, Ele não me desamparará.”
No Salmo 23 encontramos estas palavras reconfortantes e das quais tantas vezes nos esquecemos : “O Senhor é o meu pastor : Nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida : e habitarei na casa do Senhor por longos dias”.








sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

UMA VIAGEM DE COMBOIO

Numa das Revistas TABU do mês de Novembro, Vítor Rainho escreveu que “O conceito de viagem tem vindo a mudar com as alterações das políticas das companhias aéreas. Há uns anos, andar de avião era algo que as classes mais desfavorecidas, regra geral, só conseguiam visualizar em sonhos. Mesmo longas distâncias eram percorridas de comboio ou autocarro.”
Lembrei-me da primeira viagem que fiz de comboio, sozinha, para além fronteiras. Fui convidada para participar num campo internacional de trabalho numa pequena localidade da Alemanha, Nordkichen, na região da Westfália. Era jovem. Posso considerar que, naquele tempo, foi uma aventura e ainda hoje me admiro da minha coragem, até porque pouco tinha viajado dentro do nosso país. Apesar das supostas dificuldades que poderia encontrar, no dia 4 de Agosto, as 8.40 horas, parti rumo ao desconhecido, sem receios, disposta a aproveitar todas as experiências que iria viver a dois mil e tal quilómetros de casa.
Naquela viagem registei no meu diário: “ Entrámos em Espanha às 5 horas da tarde. Fiquei desiludida com este país, nosso vizinho. Desde o aspecto descuidado dos homens das estações, com as suas fardas dum verde desbotado, grandes demais, às casas cor de terra, os terrenos incultos, tudo com um ar de abandono. Não me podia mexer para não incomodar o meu companheiro do lado que dormia. Passámos a noite a atravessar a Espanha, no comboio que parecia não andar a mais de 10 km à hora. Quando se fez dia, vi uma Espanha diferente. A paisagem era linda, muito verde, e já podíamos ver os Pirinéus, com a sua beleza imponente, parecendo que a qualquer momento se poderiam despenhar sobre o pequeno comboio que nos levava. Passámos muitos túneis. Tomei o pequeno almoço no comboio. Que grande desilusão!... Serviram-me um café que, talvez, nem um quilo de açúcar o conseguisse adoçar, e um “croissant” pouco saboroso. Paguei 22,5 pesetas, ou sejam, 13.50 escudos. Chegámos a Hendaye às 11.30 horas. Depois de muitas voltas, sempre com as malas na mão, fomos à alfândega , mas a mim não me abriram as malas, felizmente! Ás 2,43 horas da tarde tomei outro comboio directo para Paris, moderno e confortável. Achei a França muito bonita com a sua vegetação luxuriante e salpicada aqui e além com as tendas dos campistas. Chegámos a Paris ás 23,30 horas. Passei a noite num hotel. No dia seguinte passeei pelos “boulevards” daquela linda cidade, sempre de mapa na mão para não me perder. Parti às 11,00 horas da noite da Gare do Norte rumo à Alemanha. Cheguei a Dortmund às 11,00 da manhã e apanhei outro comboio que me deixou em Nordkichen, onde me esperava o dirigente do campo de trabalho. A minha viagem terminou perto do meio-dia no dia 7 de Agosto. Até que enfim!”
Voltei a fazer outras viagens de comboio que deixavam sempre histórias para contar. Muitos anos depois, fiz duas viagens de autocarro, uma para a Suiça e outra para a Alemanha, que não me deixaram vontade de repetir a proeza.
Aquela longa primeira viagem para a Alemanha, que demorou 46 horas de comboio, fora as mudanças que tive de fazer e o tempo que esperei nas estações e em Paris, resumem-se hoje acerca de 3 horas de avião.
Agora, viajar nos comboios de alta velocidade, as grandes distâncias fazem-se em poucas horas. O conforto que oferecem aos passageiros tornam as viagens muito agradáveis. Sentimo-nos mais à vontade, podemo-nos levantar e esticar as pernas, ir até ao bar, enfim, um conjunto de mordomias que nos são proporcionadas. Mas viajar de avião, além do tempo que poupamos e embora não nos sintamos muito confortáveis, também tem os seus encantos. Há dois anos, num voo nocturno, apreciei o nascer do sol. Não tenho palavras para descrever o que senti, foi maravilhoso !!
E Vitor Rainho termina com estas palavras: “Como todos os fenómenos de moda à medida que se vão alastrando vão morrendo na origem, viajar de avião, hoje, não tem qualquer carga glamorosa, nem tão pouco representa estatuto. Os lugares são mais apertados, o serviço é quase inexistente e, como tal, fantástico é andar de avião particular.”
Isso agora já se torna mais difícil…Vamo-nos contentando com uma viagem comprada na ”net” que a vida não está para grandes aventuras.

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Uma lição de vida

video

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Simplesmente impressionante!


I think he Can Dance - Watch more Entertainment

domingo, 16 de Novembro de 2008

O QUE FARIA ...

Gosto muito de ver os programas da Oprah, na SIC Mulher. Alguns para nós não têm muito interesse, pois são mais dirigidos ao público americano, mas outros apontam casos, falam de assuntos que pela sua natureza e pelas experiências vividas por aqueles que são convidados para o programa, são realidades também da nossa sociedade. Considero a Oprah uma boa apresentadora, que vai ao âmago dos problemas, muito directa nas suas considerações, impelindo aqueles que entrevista a respostas bem concretas e decisivas.
Há uns dias atrás, o programa tinha o tema “O que faria…” Não o vi desde o início, mas o que estava em causa era o que faríamos, qual seriam as nossas reacções, se estivéssemos perante determinadas circunstâncias. Era um programa semelhante aos “Apanhados”, que todos nós conhecemos da nossa televisão. Havia actores que criavam cenas na rua, que pediam a interferência de alguém para ajudar a resolver as situações. Por exemplo: Um homem enfurecido, ofendia oralmente a mulher, ambos pessoas de cor. A maior parte das pessoas olhava, mas continuava o seu caminho, indiferente ao que via. Um homem, muito aborrecido, gritou-lhes que fossem para casa discutir, mas que não estivessem ali a incomodar quem passava. Até que, uma mulher já idosa, aproximou-se da vítima e, carinhosamente, levou-a consigo. Um outro caso, mostrava uma mãe, ainda jovem com duas crianças, seus filhos, alcoolizada e que, em grande aparato, procurava as chaves do carro que não conseguia encontrar. Depois, já com elas na mão, sempre aos tombos, mandava os filhos entrar para o carro e preparava-se para conduzir. Houve uma certa contestação por parte de quem se tinha juntado, até que um homem já idoso, tira-lhe as chaves da mão, impedindo-a de conduzir num tal estado de embriaguez. Um terceiro caso, passa-se numa padaria, onde uma mulher islâmica, que queria comprar pão, é injuriada pelo empregado que se recusa a atendê-la. A fila dos que aguardam pela sua vez vai crescendo assim como o mal-estar que se apodera das pessoas pelo tempo que estão a perder. Mas há duas jovens, de 15 e 16 anos, que, perante tal situação, reagem à atitude do empregado, manifestando a sua discordância e revolta. O dono da loja foi chamado por elas e resolveu a situação, vendendo o pão que a mulher desejava.
Estes três exemplos mostram-nos que vivemos numa sociedade onde, muitas vezes, impera a indiferença. Vivemos os dias numa correria constante, preocupados e ansiosos, sem prestarmos atenção àqueles com quem nos cruzamos, que vivem perto de nós e, em alguns casos, até são nossos familiares. Penso que, talvez, não se trata tanto de indiferença, de insensibilidade, mas antes do peso que transportamos sobre nós com todas as pressões que a vida nos impõe. Nas grandes cidades, por exemplo, se estivermos atentos, veremos, especialmente em horas de ponta, as pessoas caminhando apressadas, de olhos no chão, receosas de perder os transportes, pensando nas tarefas que ainda as esperam em casa, o desejo de chegar ao aconchego do seu lar…O pensamento está longe. Mas há também em nós uma certa cobardia e comodismo, o receio de nos envolvermos nos problemas dos outros, de, perante certas situações, temermos que alguma coisa corra mal. Muitas vezes, olhamos de soslaio e continuamos o nosso caminho. Mas, graças a Deus, ainda há aqueles que se esforçam por intervir em situações que mexem com a sua sensibilidade e os seus valores. Cada vez mais nós assistimos a casos de injustiça, de desumanidade, de falta de amor, que nos perturbam e que nos deixam muito tristes. Nós precisamos de ser solidários, não permitirmos que a indiferença controle os nossos sentimentos e nos impeça de olhar os outros como irmãos.
Relembro uma frase que ouvi no final do programa da Oprah; “Não é o ódio que mata as pessoas, mas sim a indiferença”.

sábado, 25 de Outubro de 2008

TRABALHAR EM EQUIPA

Sou fã do programa da SIC Mulher, “Querido mudei a casa”. Um dia, encho-me de coragem e candidato-me também. Mas a distância conta muito, os pedidos, calculo, são imensos e as escolhas devem obedecer a determinadas regras e, com tudo isto, as minhas possibilidades são mínimas ou praticamente nulas…
Há poucas semanas atrás, o “Querido” foi renovar uma cozinha na zona de Lisboa. A família era constituída pelos pais e dois filhos adolescentes. A mãe cozinhava para fora. Foram os filhos, com a ajuda do pai, que escreveram a candidatarem-se para a transformação da cozinha, que não reunia, como pudemos ver, as condições necessárias e desejáveis. Depois de dois dias e muitas horas durante a noite de um trabalho incessante, foi com muita alegria e emoção que a família foi surpreendida com uma nova cozinha, muito bem equipada, funcional e bem decorada, ultrapassando todas as expectativas da família. E era a própria mãe que dizia, chorando, que era muito difícil para os espectadores poderem avaliar aquela cozinha, que estava muito linda! Confesso que, quando o programa terminou, eu fui dar uma olhadela à minha cozinha, suspirando pela visita do “Querido”!
Quando vejo este programa, admiro a maneira como aquela equipa trabalha, desde a apresentadora, passando pelos decoradores e restantes trabalhadores, incluindo também os técnicos da televisão.
Posso ver, pelo menos é essa a minha impressão, a camaradagem e o espírito de equipa que ali existe. A preocupação de todos é dar tudo por tudo para que o projecto, que têm para aquele espaço, seja conseguido e realizado dentro do prazo estipulado. Os decoradores, por vezes, têm de fazer alterações ao projecto que tinham criado, porque aqueles que com eles trabalham se deparam com situações inesperadas, difíceis de ultrapassar em apenas dois dias, e são eles próprios que sugerem alternativas. Cada um tem de cumprir a sua tarefa, é por ela que é responsabilizado, mas quando o trabalho aperta, todos partilham do sentimento de reunir esforços e ajudar no que for preciso para concluir o projecto, surpreender os concorrentes e o programa possa ser transmitido. Infelizmente, nem sempre isso se passa no mundo do trabalho. Há muito a ideia de cada um fazer somente o trabalho que lhe compete. É normal o trabalhador ocupar um determinado lugar segundo as suas capacidades e qualificações. E por ocuparem esses cargos são responsabilizados e remunerados. É esperado que saibam trabalhar em equipa para que daí resulte um bom ambiente de trabalho e a empresa ou instituição atinja os seus objectivos. Porém, trabalhar em equipa exige capacidade de partilha nas mais variadas situações. Se o meu colega tem muito trabalho e eu tenho disponibilidade, eu devo tentar dar uma ajuda. Surge uma situação inesperada e a pessoa responsável não está no momento, se posso, procuro resolver o problema e muitos outros casos poderiam ser apontados. Criar barreiras, mostrar atitudes de indiferença, não valorizam as pessoas e só prejudicam as relações e reflectem-se na boa imagem que devemos dar como profissionais. Criam instabilidade e acabam por ter repercussões na prestação dos bons serviços que as entidades empregadoras se empenharam para poderem ter sucesso. No final, acabam por nem uns nem outros saírem beneficiados.

domingo, 19 de Outubro de 2008

GRATIDÃO

Quando passo pela zona da nossa cidade conhecida pelo Pinhal, olho sempre para uma casa pequena, amarela, que fica numa esquina e hoje desabitada e degradada. Recordo então, que há muitos anos, era habitada por uma mulher, mãe solteira, com dois filhos pequenos. Trabalhava a dias e levava uma vida muito dura. Quando a conheci, tinha os filhos num infantário, e, segundo me contavam, havia meses que ela não podia pagar as mensalidades dentro do prazo estipulado, embora fosse uma pequena importância. Quando sabia que isso ía suceder, telefonava, pedia muitas desculpas pelo atraso e prometia fazê-lo logo que lhe fosse possível e cumpria sempre! Era uma mulher que lutava arduamente para poder dar aos filhos o mínimo de condições. Qualquer atenção que recebia, qualquer favor que lhe prestassem, ela mostrava-se sempre muito reconhecida e agradecia com um bonito sorriso no rosto, já bem marcado pelo sofrimento.
E penso para comigo, que sermos gratos parece simples, mas não é. Nem sempre é fácil amarmos a vida tal e qual como ela se nos apresenta. Quando as circunstâncias nos são adversas é complicado sentirmo-nos gratos. Temos a tendência para avaliarmos a vida dos outros e acharmos que ela é muito melhor do que a nossa, ao mesmo tempo que lamentamos muitas vezes a nossa imerecida falta de sorte. Depois, quando a vida nos sorri e estamos a passar por momentos mais felizes e ficam para trás as frustrações e dificuldades por que passámos, consideramo-nos merecedores duma recompensa. É compreensível que, em tempos de crise , nos lamentemos e choremos as nossas desilusões, os nossos fracassos e desgostos. Mas a pouco e pouco, com o passar do tempo, eles vão-se dissipando e deixamos de vê-los como resultantes da nossa falta de sorte, mas antes como fazendo parte da vida. Viver o presente, com tudo aquilo que ele tem para nos dar, impõe deixar de pensar no futuro com a ilusão de que sempre iremos viver melhores dias, criando assim fantasias sem fundamento. Implica também que devemos saber agradecer e dar valor a tudo o que o presente nos dá.
Dar e receber, uma partilha de sentimentos, que, com o desenrolar da vida, se tornam num bem-estar, numa satisfação, indispensáveis para uma vivência feliz, nunca esquecendo de saber dar sempre graças a Deus pela nossa vida, com os seus momentos bons e menos bons, vividos com os nossos familiares e amigos, compreendendo que faz sentido vivê-la em pleno.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Fascinante

domingo, 12 de Outubro de 2008

A FALTA DE VALORES

Que sociedade é esta em que nós vivemos ? Tudo é permitido, vão-se abdicando de valores outrora tão valiosos, que os pais procuravam deixar como legado aos seus filhos. Não eram exclusivos duma classe socialmente bem situada. Os mais humildes, na sua simplicidade, educavam os seus filhos desde bem cedo, com regras morais e religiosas, para que pela vida fora fossem pessoas honradas, com sentido do dever cumprido. Nesse tempo, a expressão “ dou a minha palavra de honra” tinha um significado muito forte. Não era dita à toa, transmitia confiança, verdade, respeito. Hoje caiu em desuso e se, por mero acaso, é pronunciada, temos de pensar muito bem na sua veracidade, naquilo que estará por detrás das palavras. Vivemos numa sociedade em que o lema é “cada um salvar-se como puder”, não importa os meios que são usados para se atingirem os fins desejados. E é preocupante, assistirmos a casos, em que as próprias crianças já demonstram atitudes inquietantes, e que nos levam a interrogarmo-nos que cidadãos serão amanhã… Mas elas são fruto dos dias que se vivem, do pouco tempo que os pais têm para falarem com elas, para acompanharem o seu desenvolvimento. Quantas dessas crianças têm a chave de casa no bolso porque lá não está ninguém para lhes abrir a porta? Sozinhos em casa, navegar na Internet, se a possuem, aguça a sua curiosidade e leva-os, sem o acompanhamento dos adultos, a descobrir programas inadequados e perigosos. Claro que não se pode generalizar, há muitas crianças e adolescentes que sabem fazer escolhas, seguir os conselhos dos mais velhos, e que vão conseguindo orientar-se sob determinados princípios que os evidenciam nos estudos, no comportamento em geral. São eles as nossas esperanças para um mundo mais humanizado.
Na verdade, os tempos estão difíceis. Muitas vezes chega a não haver o mínimo para sobreviver. O emprego pode não estar garantido, mas as despesas crescem porque se passou também a não saber prescindir de certos “luxos”. As preocupações aumentam e as pessoas vão deixando de ter tempo para parar e pensar, e ter em atenção certos limites que não deveriam ter sido ultrapassados, mas que as pressões a isso as obrigaram.
Há valores que estão em crise, é o que se ouve dizer constantemente. O respeito que os outros nos devem merecer, o cuidado que devemos pôr nas atitudes que tomamos e naquilo que dizemos, a solidariedade, a partilha, a luta contra as injustiças, e por aí fora! Tudo isto se reúne no mandamento de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. E mais tarde reforçado nas palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos crentes da igreja de Corínto : “ O amor é paciente e prestável. Não é invejoso. Não se envaidece nem é orgulhoso. O amor não tem maus modos nem é egoísta. Não se irrita nem pensa mal. O amor não se alegra com uma injustiça causada a alguém, mas alegra-se com a verdade. O amor suporta tudo, acredita sempre, espera sempre e sofre com paciência. O amor é eterno …Agora existem três coisas: fé, esperança e amor. Mas a mais importante é o amor”. I Coríntios 13.
Que mais posso eu acrescentar?

sábado, 4 de Outubro de 2008

UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO E ABNEGAÇÃO

Com o passar dos anos tem-se vindo a acentuar a impossibilidade das famílias para cuidar dos seus idosos. Cada vez abrem mais lares mas, apesar disso, todos eles, pelo que sei, têm listas de espera, pois não conseguem abranger o número de idosos que precisam de lugar para ali passarem a viver, em condições dignas, o tempo que Deus lhes irá ainda conceder de vida. Não é fácil, e digo-o por experiência. Quem tem uma profissão e está fora de casa a maior parte do dia, e sem ajuda de terceiros, cuidar do seu familiar idoso, quando este vai perdendo as suas capacidades e fica dependente de ajuda continuada, é muito difícil. Encontrar alguém que se responsabilize a tempo inteiro ou só durante parte do dia para tomar conta e dispensar os cuidados necessários a um idoso, torna-se muito complicado, assim como também suportar os honorários que são pedidos. Por outro lado, há que ter muito cuidado com o tipo de pessoa a quem se vai entregar esse serviço, a sua preparação face aos cuidados que deve prestar ao idoso, o respeito que este lhe merece, a sua sensibilidade face às dificuldades que vão surgindo, e tantas coisas mais. É um problema que se está a pôr cada vez mais na nossa sociedade e que nem sempre é fácil de resolver.
Mas há ainda pessoas idosas que têm familiares disponíveis para deles se ocuparem, com dedicação e amor, proporcionando-lhes a melhor qualidade de vida possível. Tenho uma amiga, também ela já com 81 anos, que partilha a sua casa com uma familiar de 93 anos, numa situação de demência, senilidade, inconsciente face às atitudes que toma e que a tornam por vezes agressiva, inquieta, difícil de controlar nas suas exigências. Mas esta minha amiga está ali para cuidar dela com carinho, não importa que tenha de renunciar a muitas coisas em que gostaria de ocupar os seus dias. Há vozes que a alertam para ter cuidado consigo própria, que a aconselham a pôr a sua familiar num lar porque está a tornar-se difícil conseguir manter uma vivência saudável, tranquila, e sucedem-se os avisos, os conselhos. Mas para ela cuidar da sua familiar não é um fardo e o seu amor impede-a de virar as costas às dificuldades que se vão avolumando. Apesar da sua idade, esta minha amiga é uma pessoa activa, de espírito aberto ás mudanças, uma mulher que ainda tem muito para nos dar. Mas a sua familiar tem a prioridade e vai sempre poder contar com ela!
Um exemplo de dedicação e abnegação!

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

O estado a que chegou a Educação no nosso país

Clicar na imagem para ler o texto.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

CADA UM DIVERTE-SE À SUA MANEIRA


Olhando de novo as últimas imagens do meu blog não posso deixar de pensar nas diferentes maneiras que as pessoas inventam para preencher os seus momentos de ócio, indiferentes aos riscos que possam correr, no ridículo a que por vezes se expõem e, em algumas situações, no uso de métodos brutais , para depois se vangloriarem da sua valentia e do gozo que experimentaram.
Cada um é livre de se divertir da maneira que entende, nem que para isso tenha de sofrer as “meiguices” dum pequeno touro desembolado, como demonstram as imagens. Tenho a certeza que muitos daqueles homens (parece-me que as mulheres não se aventuraram nas brincadeiras !) sofreram traumatismos, partiram cabeças e sei lá que mais, mas isso não os vai impedir de, na próxima vez, tornarem a ser participantes activos desta diversão.
Mas o que me dirão dos espectáculos que proporcionam as “lutas de cães”, as “lutas de galos”, por exemplo, quando, incitados pelos gritos dos seus aficionados, os animais morrem e os que ficam estropiados são muitas vezes abandonados pelos seus próprios donos, porque a brincadeira terminou. E as touradas? Isso já é outra coisa! É um espectáculo com tradição, que passa de pais para filhos e que envolve famílias, normalmente abastadas, e que, com toda a pompa e valentia, proporcionam um clima de prazer, expectativa e uma certa tensão aos seus admiradores. Que me perdoem os simpatizantes das corridas de touros, mas eu sou completamente contrária ao sofrimento que é infligido aos animais, incluindo o cavalo que tantas vezes é atingido, para satisfação daquelas pessoas que, pagando bilhetes de elevado custo, se maravilham com a arte e valentia revelada pelo cavaleiro e pelo toureiro, quando vão espetando as bandarilhas, uma após outra, no animal, indiferentes ao seu sofrimento. Os “olés” gritados pela assistência, estimulam os “artistas” ! No final o público deixa as bancadas, maravilhado e comentando com euforia a actuação dos seus heróis, enquanto o pobre do touro, figura principal da festa, acaba no matadouro…
Numa tourada a minha pena vai para o touro e para o cavalo, quando este é atingido. Claro que não fico insensível se um dos “actores da arena” sofre um acidente, mas foi uma consequência da sua opção … Os animais estão sujeitos à vontade do homem, mas estes devem compreender que nem sempre podem levar a melhor, quando os excitam e lhes provocam sofrimento.
Estes são apenas “algumas” das maneiras que nós, humanos, escolhemos para diversão. Haveria tanto a dizer sobre isto !...

domingo, 14 de Setembro de 2008

Açores - Brincadeiras com touros

video

terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Obrigatório ver

segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

PARA QUÊ SOFRER


“A nossa herança cultural baseia-se em ressaltar aquilo que fazemos mal. Incute-nos que é impossível viver sem sofrimento. E, contudo, a Psicologia considera que em quase 90 por cento das situações sofremos de forma inútil e desnecessária.”

“O sofrimento, o envelhecimento, a doença, a morte existem. Não se trata de negar essas evidências. Mas há que buscar um equilíbrio em que se possa viver com naturalidade. Não temendo a morte, nem o envelhecimento e sabendo que a doença se pode superar. Não há que negar que existem dificuldades. Há que preparar a pessoa para as superar.”

“Nem tudo é sofrimento, nem tudo é felicidade. Há que ser objectivo e saber que é possível superar as dificuldades. É esse o caminho para a maturidade e para a felicidade.”

“… existem inúmeras situações em que sofremos de forma desnecessária. Não pelo que ocorre mas pelo que pensamos. É esta situação que podemos inverter, colocando o cérebro a nosso favor. O sofrimento existe, mas não há que dar-lhe a primazia.”

“A felicidade advém de nos sentirmos bem connosco próprios, de sabermos que existe coerência entre o que pensamos e o que fazemos.”

“O sentido de humor ajuda a viver melhor, a relativizar e a superar as dificuldades. O sentido de humor é o melhor baluarte que podemos ter. Connosco próprios e no relacionamento com os outros. Graças ao humor desfazem-se muitos problemas.”

“O sentido de humor procura o positivo nas circunstâncias, o ponto agradável em tudo, relativiza as questões. Costumo dizer que “se o humor se pudesse pagar os ricos compravam-no”. Uma pessoa que é capaz de rir de si mesma supera quase todas as dificuldades e tem uma vida mais prazenteira”.

“O pior que podemos fazer a uma criança ou adolescente é superprotegê-lo.” … “Não negar que existem dificuldades na vida, mas prepará-los para as enfrentar e superar”

Excerto da Revista XIS do Jornal Público, de 1 de Julho de 2006
Do livro “A Inutilidade do Sofrimento”, da psicóloga Maria Jesus Álava Reyes

Há já algum tempo que, todas as manhãs e nos finais da tarde, eu vejo da minha janela um casal a dar pequenas voltas. O homem, talvez na casa dos 60 anos, deve ter tido algum problema de coração porque me parece que não pode mexer o braço esquerdo. Com a mão direita apoia-se numa bengala, e muito vagarosamente, num andar arrastado, dando pequeninos passos, ele faz a caminhada a que se impôs. A esposa vai sempre a seu lado, dando-lhe ajuda, mas só quando vê que é necessário fazê-lo. Não sei quanto tempo demora o trajecto, mas posso imaginar, pelo que vejo, que quando este homem chega a casa deve ir muito cansado. Mas ele é perseverante, determinado, sabe que precisa de andar, de movimentar as pernas. Ele não nega o sofrimento que esse esforço lhe causa, é visível, mas faz o possível por superá-lo, esforçando-se por, a pouco e pouco, ir tentando vencer as suas incapacidades, lutando para, quem sabe, voltar a ser a pessoa que era antes da doença o ter atingido.
Lembro-me mais uma vez das palavras da psicóloga: “O sofrimento existe, mas não há que dar-lhe a primazia !”

terça-feira, 2 de Setembro de 2008

SABER VIVER

Muitas vezes, falando com pessoas que estão a passar por dificuldades e fogem ao convívio com os outros, eu costumo dizer, como incentivo : “Viva da melhor maneira cada dia da sua vida!” Também dirijo a mim própria as mesmas palavras, mas algumas vezes sem sucesso…
Estava há momentos a pensar que posso comparar a vida a uma daquelas estradas secundárias do nosso Portugal. Quando vamos de carro devemos ter em atenção os buracos, muitos deles sem estarem devidamente assinalados, as curvas, os outros carros que vêm em sentido contrário, aqueles que nos querem ultrapassar indiferentes ao perigo que isso possa constituir e a tantos outros imprevistos com os quais nos podemos deparar. Mas muito importante, é a maneira como conduzimos. E aqui surgem os “senãos” que podem pôr em risco a nossa segurança e a dos outros.
Na nossa “estrada da vida” vamos encontrar muitos obstáculos que irão atrapalhar a nossa condução: contrariedades, problemas que surgem sem serem esperados, o demasiado optimismo que nos impede de ver com clareza as realidades, a solidão, a falta de saúde, que nos torna mais sensíveis, enfim, muitas coisas das quais cada um de nós pode falar por si. Quando só vemos a parte negativa da vida é como se estivéssemos a conduzir o nosso carro pela estrada num dia de Inverno, com chuva, relâmpagos a cruzar o céu, o vento que nos obriga a segurar bem o volante para conseguirmos ir em frente, etc. Mas quando vamos para a estrada num dia de Primavera, com o sol a brilhar, os campo verdejantes, cobertos de flores, aquele túnel que atravessamos, formado pelas árvores, que dum lado e outro do caminho, entrelaçaram os seus ramos, o cantar dos pássaros, a total revelação da Natureza cantando hinos ao seu Criador! Então, sim, o nosso ser vibra, sentimo-nos mais felizes, esquecemos por momentos os perigos que nos podem surpreender, uma curva mal dada, um buraco traiçoeiro à espera do menos atento.
Saber aproveitar cada dia que Deus nos dá é aprender a tirar partido da nossa condução pela “estrada da vida”, aproveitando os “dias de Primavera” que nos irão tornar mais fortes para aprendermos a viver com as tristezas dos “dias de Inverno” que, quer queiramos quer não, aparecem sempre e…quantas vezes fora de tempo!
“Segura a mão de Deus.
Segura a mão de Deus,
Pois ela, ela te sustentará.
Não temas, segue adiante,
E não olhes para trás.
Segura já na mão de Deus e vai”

sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

FALTA DE SEGURANÇA

Apesar de sermos um pequeno país, conhecido até pelos seus brandos costumes, cada vez mais estamos a ser confrontados com problemas que, há uns anos atrás, seria difícil imaginar que pudessem tornar-se em notícias diárias nos órgãos de comunicação. Talvez a apresentação continuada de certos filmes americanos, e não só, se tenha tornado ao longo do tempo em fontes de aprendizagem para certas pessoas que , sem qualquer constrangimento, se tornam insensíveis aos meios que usam para alcançar os seus fins. A mente humana pode ficar de tal maneira distorcida que leva a alterações comportamentais para as quais não há uma explicação. E aquele que até era conhecido por ser um “bom tipo”, de um momento para o outro passa a ser procurado pela polícia pela prática de um crime. São situações que nos deixam perplexos, atemorizados e mais cautelosos. Hoje em dia, no café, no banco, na rua, podemos estar sujeitos a situações perigosas, quando nada as fazia prever. Faz-me lembrar aqueles filmes do “far west “ americano, quando o cowboy, por dá cá aquela palha, rapidamente puxa da arma, prime o gatilho e atira à esquerda e à direita, para depois voltar a pôr a arma no coldre, montar no cavalo e desaparecer.
Admira-me a facilidade com que se podem adquirir armas no nosso país. É frequente vermos na televisão, quando a polícia consegue desmantelar redes criminosas ou simplesmente capturar alguém que estava a ser procurado, a quantidade de armas de diferentes calibres que vão encontrar nas suas casas. Para mim, que pouco ou nada sei dos meandros que envolvem todas estas práticas criminosas, torna-se difícil compreender os sentimentos que movem estes homens, tão friamente e duma maneira completamente irracional, a cometer actos de violência que chegam a atingir a selvajaria. Duma coisa eu acho que estou certa: na maioria dos casos, estes actos não são praticados por pessoas levadas a extremos para conseguirem sobreviver. É, sim, uma maneira fácil de arranjar dinheiro sem precisar de trabalhar e uma espécie de jogo com as autoridades, até porque muitas vezes são eles que saem a ganhar. Devíamos ser informados, quando acabam por ser capturados, sobre quem são, donde provêm. Não virão apenas daqueles bairros problemáticos, onde a violência se torna mais evidente, consequência de situações que não foram tomadas em conta quando foram construídos e quem iria habitá-los. Haverá, tenho a certeza, gente de outros extractos sociais e que não “interessa” denunciar. O mal não vem só de um lado, tal como o vento, que sopra de vários quadrantes.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

SALTOS ALTOS

Quando a revista Tabu, do jornal Sol, me chega às mãos todas as semanas, procuro logo as penúltimas páginas VIVER PARA CONTAR de José António Saraiva. Leio-as duma ponta à outra e volto a lê-las depois com maior atenção deixando-me envolver no desenrolar do tema que o jornalista escolheu para essa semana. Confesso que não aprecio escritas muito elaboradas, ainda mais quando aparecem em revistas e jornais que serão lidos por pessoas de culturas diferenciadas e que devem poder compreender aquilo que vão ler. A minha preferência vai para este jornalista que sabe escrever estas páginas numa linguagem simples, um pouco irónica, inteligente, reveladora da veracidade do assunto que vai desenvolvendo ao longo da escrita e que se torna perfeitamente acessível a todos os leitores. Ele procura dar a sua opinião sobre determinadas realidades da nossa sociedade, que por vezes podem escapar aos mais atentos, porque, normalmente, não são assuntos que fazem notícia nos telejornais, nos noticiários da rádio ou nos cabeçalhos dos jornais.
Aqui deixo algumas passagens do artigo Saltos Altos, de 19/7/08, na revista Tabu, que li com muito agrado.

“A sociedade de consumo banalizou-se a tal ponto que perdemos em relação a ela o sentido crítico, aceitamo-la passivamente, deixámos de nos questionar sobre os expedientes que constantemente se inventam para nos obrigar a consumir mais e mais – mesmo em período de crise, como o que atravessamos.
Parece existir uma espécie de “central” que emite ordens e cria diariamente novas fórmulas, novos modelos, para incentivar o consumo”.

“Há trinta anos, a maioria das pessoas tinha um relógio. Os nossos avós tinham um relógio a vida inteira – um Ómega, um Tissot, um Longines, marcas que ficaram míticas por serem “eternas”. Quando se comprava um relógio era para sempre – não se trocava de relógio por dá cá aquele palha, tal como não se trocava de mulher ou de marido”.

“E o que acontece com os relógios sucede com os sapatos. Há 30 anos as senhoras tinham meia dúzia de pares de sapatos: sapatos de Verão e de Inverno, sapatos mais claros e mais escuros, um par de cerimónia.
Mas também isso mudou. Depois, no que respeita aos modelos: tão depressa se usam sapatos com longas biqueiras (que ficam vazias, porque os pés não chegam à frente, o que provoca a rápida deformação do calçado) como sapatos completamente arredondados ( fazendo lembrar os das chinesas a quem punham ligaduras para não deixar crescer os pés)”.

“Quem “inventa” isto? Como são lançadas as “ordens” que depois todos seguem? Às vezes, como disse, parece haver uma “central de comando” a emitir orientações – que as grandes empresas, as multinacionais, os estilistas se encarregam de pôr em prática.
Parece existir uma espécie de “Deus do consumo” que constantemente inventa novas formas de o expandir, de criar necessidades fictícias e modas absurdas que chegam a ridicularizar quem as adopta”.

domingo, 17 de Agosto de 2008

NÃO DESANIMEMOS

Há pouco tempo, quando fazia o voluntariado no Hospital, passei por uma experiência muito gratificante. Entre o grupo de doentes que ali se encontrava nesse dia, dois deles, com quem já tenho conversado algumas vezes, porque se sentiam muito deprimidos, não quiseram conversar. Um outro ainda disse algumas palavras, mas eu notei que também não estava bem. Isto já tem acontecido, mas muito raramente. Compreendi perfeitamente a situação porque eu constato que, quando se luta com uma doença que muitas vezes teima em resistir à medicação que é administrada, as pessoas deixam-se levar pelo desânimo e começam a perder a coragem para lhe fazer frente. Nessa manhã, eu também não estava nos meus melhores dias e o ambiente, que eu sentia no ar um pouco pesado, contribuiu ainda mais para perturbar a minha disposição.
A minha atenção foi desviada para um doente com quem eu havia falado na semana anterior pela primeira vez. Estava com problemas e tinha resolvido vir falar com a médica. Aparenta ser uma pessoa que não se deixa vencer facilmente, com uma vida marcada por várias experiências que lhe deixaram lesões no corpo, mas com muita força para enfrentar a doença e continuar a fazer planos para o futuro. Era a segunda vez que nos encontrávamos. A dada altura, ele diz-me a sorrir: “ A senhora está triste!” Respondi-lhe : “Não! Talvez um pouco abatida porque vejo algumas pessoas, que aqui estão hoje, muito deprimidas”. Ele disse algumas palavras, confirmando que havia momentos em que se perde a coragem, mas insistiu : “A senhora hoje não está bem !” Olhando para ele, ri-me e respondi: “ Estou bem!”
Então ele, num tom de voz animador, disse-me: “ Vá, deixe sair esse lindo sorriso que a senhora tem!” Entretanto a médica apareceu e a nossa conversa ficou por ali. E eu fiquei a pensar que este doente, por momentos, esqueceu os seus males e foram aquelas palavras que ele encontrou para me animar!
Quantas vezes, no meu dia-a-dia, eu fico insensível a um olhar que deixa transparecer tristeza, uma palavra que exprime um sentimento de desânimo, uma atitude mais brusca que denuncia impaciência, porque estou demasiadamente preocupada comigo própria e não me apercebo dos problemas dos outros.
Há umas semanas atrás, uma das doentes, já de certa idade, recordava o sofrimento em que o seu marido tinha vivido antes de falecer e, chorando, lamentava estar ela agora também a passar por momentos bem difíceis. Então, surgiu de imediato um comentário expresso com bastante firmeza, por uma outra doente bastante mais jovem: “ Não somos só nós que sofremos, todas as pessoas sofrem!” E é bem verdade…

quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

VIVER CADA DIA COMO SE FOSSE O ÚLTIMO É UM ERRO

“ A felicidade não é uma estado acabado. O bem-estar, como prefiro chamar-lhe, consiste num processo dinâmico que se rege pelo facto de estarem, em permanência, a surgir novos acontecimentos na nossa vida. Se soubermos efectuar a gestão da vida no presente, numa atitude de gratidão por aquilo que hoje existe e não numa atitude de medo por aquilo que amanhã pode vir a existir ou deixar de existir, estamo-nos a centrar no real. Ou seja, quando nós projectamos ou sofremos por antecipação, descentramo-nos do presente para equacionar o futuro de uma forma emocionalmente desajustada – com todos os sentimentos de medo e insegurança que acarretam essas possíveis alterações. E não temos capacidade para gerir todas estas emoções. Ou eu olho para o que não existe, ou para o que tenho medo que deixe de existir, ou olho para aquilo que existe e tento sentir-me grata por isso".

”Viver cada dia como se fosse o último?

“Se for o último, corremos o risco de viver numa voracidade e numa velocidade incessante, a querer efectuar actos disparatados. É querer empacotar a vida em meia dúzia de horas, com a angústia de que ela vai terminar, ainda por cima. Pelo contrário, penso que cada dia deve ser vivido como sendo o dia mais importante das nossas vidas. Se eu viver cada dia como o melhor dia, em conformidade com as circunstâncias, irei sentir-me bem".

“Se nós soubermos, no final de cada dia, parar um pouco para reflectir e ganhar o hábito de equacionar cinco coisas boas que nos aconteceram nesse dia, começamos a aprender a valorizar os pormenores".

“Se começarmos a sentir, realisticamente, mas com intensidade, as pequenas coisas do dia-a-dia – o abrir a janela e olhar a chuva e sentir o cheiro da terra húmida, ou abrir a janela e olhar o céu azul e o sol e apreciar os primeiros raios do dia, passar num café e sentir o aroma do café – começamos realmente a apreciar a vida.”

" A felicidade passa por congratular-se com a felicidade e a beleza dos outros e, acima de tudo, com a coerência entre aquilo que eu penso, o que eu sinto e o que eu faço. É uma forma de estar na vida securizante".

Margarida Corvo Tavares, psicóloga
Excerto da Revista XIS do Jornal Público, de 24 de Junho de 2006

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Connie Talbot - Um potencial talento

terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Imaginem

"Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.
Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos".

Mário Crespo
JN

segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

FILHOS CRIADOS ...

Quando somos novos e temos filhos pequenos, com todas as preocupações e canseiras que eles nos dão, eu, na minha inexperiência, pensava que, quando eles fossem adultos, senhores das suas vidas, independentes, iria ficar descansada e viver sem sobressaltos.
À medida que cresceram foram passando pelas fases que caracterizam cada idade. As birras terminaram, foram ultrapassadas as doenças da infância: a varicela, o sarampo, alternadas com outros problemas de saúde que sempre surgem nestas idades. Partiram a cabeça, esfolaram joelhos, brigaram com os colegas e gozaram a liberdade de brincar na rua uns com os outros, o que, nos tempos actuais, é raro ver-se porque há sempre possíveis perigos à espreita. Chegaram à adolescência e as preocupações foram aumentando. A importância que os amigos representavam para eles, fizeram-me recear a possível má influência que poderiam vir a ter nos seus comportamentos. Saber se as notas que tinham tirado dariam ou não para passar de ano, era uma expectativa, nem sempre com resultados positivos. Os namoricos… E as aventuras que eles viveram e só muito mais tarde me contaram ! Quando hoje as recordo ainda me fazem arrepiar.
Os anos passaram depressa e a saída de casa, para eles poderem continuar os estudos, chegou. Uma aventura para eles misturada também com certo receio, e para mim, uma ansiedade constante: como estariam a viver esta experiência, como ocupariam os tempos livres, etc ? Os fins de semana, quando chegavam a casa, com os sacos cheios de roupa suja, a alegria de os ver, as perguntas que tinha para lhes fazer e a pressa que sempre manifestavam para irem encontrar-se com os amigos… Por fim, a felicidade vivida quando eles terminaram os seus estudos e começaram a trabalhar. Depois chegou o momento de eles tomarem uma decisão importante e escolherem a pessoa com quem desejavam partilhar a vida. Constituíram as suas famílias e saíram para as suas casas. Agora, eu e o pai estávamos sós, iríamos poder viver a vida tranquilamente, porque as fadigas, as preocupações tinham terminado ! Isso pensava eu ! Não me lembrava do provérbio que diz: “Filhos criados, trabalhos dobrados”. Fui à enciclopédia e lá diz que “provérbio ou ditado exprimem metaforicamente uma verdade ou resumem uma experiência”. E nós, mães e pais que o digamos !
Os filhos tornaram-se adultos e agora eles gerem as suas vidas de acordo com os seus rendimentos familiares. São responsáveis pela educação dos seus filhos, tal como nós fomos. Têm as suas próprias opiniões, o seu conceito de vida, que ás vezes pode diferir do nosso. Tudo isto é absolutamente normal e é bom que assim seja. É claro que as minhas preocupações hoje são diferentes das do passado, mas, para mim, parecem-me ser ainda maiores ! Agora estendem-se às suas famílias. Os seus problemas são os meus problemas. Vivo intensamente as suas alegrias, mas fico angustiada e ansiosa se alguma coisa não lhes corre bem. Gosto de os ver independentes, realizados, cada um procurando ser feliz e fazer feliz a sua família. Porquê viver inquieta ?! Acho que o melhor que eu tenho a fazer é preocupar-me unicamente quando existam razões para isso, enfrentar o momento e mostrar-lhes que podem sempre contar com o meu apoio e ajuda. Assim é que deve ser ! O pior é que no meu coração, bem lá no fundo, eu sei que não consigo ser diferente. É superior às minhas forças ! E imagino que nesta questão não devo estar sozinha…

quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Bobby McFerrin - Ave Maria